Não sei precisar o ano, mas lembro-me de chegar à tua casa na noite de consoada. O avó celebrava mais um ano de vida e nós juntávamo-nos à mesa com ele. Ao canto estava um pinheirinho natural, como era a nossa tradição. Com cheiro a resina e alguns galhos por vezes franzinos. A decoração era feita por ti e tinha fotos nossas alternadas com meias de natal, também essas tricotadas pelas tuas mãos, onde gentilmente deixaste uma lembrança para cada filho e para cada neto. O Natal foi bom. Aliás, o Natal é sempre bom quando a famÃlia está reunida. Um mês depois trocaste-nos as voltas e, sem prever, passaste a cuidar de nós num lugar com acesso interdito à vida.
Sabes avó, ninguém quer meias pelo Natal. Só que ainda hoje a tua meia continua a ser a melhor decoração da nossa casa.






